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Marco Bole no Jornal do síndico em BH - Fraude de R$ 2,7 milhões em condomínio acende alerta para síndicos: como evitar esse risco

  • Foto do escritor: Assessoria de imprensa SGEx.
    Assessoria de imprensa SGEx.
  • 7 de mai.
  • 4 min de leitura

Caso de fraude de R$ 2,7 milhões em condomínio alerta síndicos e moradores

O trabalho do síndico na administração de um condomínio passa primordialmente pela condição do manejo dos recursos pagos pelos moradores, prezando pela boa versação do dinheiro. Porém, casos de mal uso ou de fraudes não são incomuns.

Um caso especificamente que chamou atenção aconteceu no interior de São Paulo, onde uma síndica desviou um rombo de aproximadamente R$ 2,7 milhões, consequência de empréstimos em nome do condomínio, não pagamento de tributos e contas de fornecimento de água.

Joaquim Barros [nome fictício usado para preservar a identidade a pedido pelo morador do condomínio do interior de São Paulo que descobriu o desfalque milionário deixado pela síndica. Ele relata que ao descobrir aconteceu por volta do final de 2024, quando um dos funcionários o procurou para mostrar uma incompatibilidade com o saldo do seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O condomínio que tem conhecimento na área identificou que os depósitos que o condomínio deveria fazer na conta do funcionário não estavam sendo feitos.

“Examinei o extrato e vi que faltavam 41 depósitos mensais do FGTS. Fiz a mesma coisa com os demais funcionários e identifiquei o mesmo problema. A situação serviu de alerta para mim e passei a puxar possíveis débitos que o condomínio poderia ter e cheguei ao valor de um passivo de R$ 2,7 milhões no total, sendo a maior parte deles de não pagamento de tributos”, relatou.

Falsificação - Ainda de acordo com Joaquim Barros, a ex-síndica contratou empréstimos em nome do condomínio, não pagou o consumo de água do condomínio que não era individualizado e sumiu com uma quantia de R$ 460 mil que havia sido recolhida junto aos condôminos para regularizar as “crifuras das unidades em cartório”. “Infelizmente, na época de sua gestão, ela cercou de pessoas simples, que não acompanhavam bem as questões financeiras, no conselho fiscal. Além de ter falsificado os documentos de prestação de contas juntamente com o escritório de administração”, acrescentou o morador.

Marco Bole, especialista em auditorias para condomínios com expertise de trabalhos no Brasil, EUA e Canadá, explica que esse tipo de problema visto no condomínio de Joaquim pode ser evitado com um acompanhamento rigoroso por parte dos moradores. Ele explica que um grande desafio em condomínios começa com um pequeno problema que, sendo identificado logo no início, pode evitar maiores transtornos.

“Com as ferramentas que temos, é totalmente possível que o morador tenha acesso às prestações de contas de forma digital e praticamente em tempo real. Quando são acordos, o controle deixa de ficar na mão de uma pessoa só e passa a ser mais coletivo, e isso por si só já reduz muito o risco. Outro ponto é a participação do condomínio e uma comunidade, sendo que o conselho é atuante, quando os moradores participam das assembleias e quando existe a comissão, por exemplo no banco, etc. É uma questão bastante séria. E claro, a auditoria preventiva também entra como uma ferramenta importante”, explica.

Legado - No caso do condomínio do interior de São Paulo, a ex-síndica, que apresentou a carta de renúncia dias após ser confrontada pelo morador que identificou a fraude, atuou na gestão por cerca de 10 anos. De acordo com Joaquim Barros, o legado deixado resultou em 16 ações judiciais cobrando conta o condomínio, sendo a Receita Federal e a concessionária de fornecimento de água os dois maiores credores, cujas dívidas somadas chegam a R$ 2 milhões. Ele explica que os moradores tentam a esta altura uma ação de recuperação judicial, dispositivo legal que não contempla diretamente a pessoa jurídica dos condomínios.

“No caso do FGTS, dada a urgência e o risco de não pagar, fiz levantamento e apresentei para a assembleia que aprovou os depósitos. Foram recolhendo os valores de depósitos nas contas dos empregados. Também fizemos uma reunião com eles e expusemos todo o problema. Alguns não faziam a menor ideia do que vinha acontecendo e firmamos o compromisso de que nenhum deles iria entrar com uma ação trabalhista e foi necessário infiltrar por causa dessa fraude da ex-síndica. E finalmente conseguimos pagar todo o FGTS atrasado”, destacou Joaquim.

Auditoria - Para Marco Bole, especialista em auditorias para condomínios, a forma como Joaquim descobriu a fraude em atas. Isso dificilmente acontece de forma isolada. Normalmente existe uma falha grande de controle e um nível alto de centralização na gestão avaliou Bole.

Como o condomínio de Joaquim Barros tem cerca de 160 unidades, rateando o passivo, cada apartamento teria que arcar com uma quantia de R$ 17 mil para saldar o débito proveniente da gestão improba. “A nossa ideia é levantar todo o débito, negociar um bom desconto e prazo para pagar. Vamos precisar de pelo menos cinco anos para pagar o que significa ter um rateio de R$ 325 por apartamento mensalmente, quase igual à taxa de condomínio mensal atual que é de R$ 400 em média”, conta o morador.

Certidões - Ainda sobre o caso, existe uma ação criminal e outra de prestação de contas tramitando contra a ex-síndica. Segundo Joaquim Barros, o caso de fraude do condomínio onde mora pode não ter sido o primeiro que a síndica, que na época da descoberta por 60 anos, cometeu. “Um cuidado que os condomínios podem ter é obter certidões da pessoa interessada em ser síndica, exigir que ela mostre certidão de boa conduta, de nada consta, etc.”, conclui.

A ideia do especialista diante desse caso é a profissionalização da gestão financeira do condomínio. Marco Bole explica que no primeiro ano além da contratação de um profissional, seja um síndico ou uma empresa, para no trato que os próprios condomínios devem dar ao acompanhamento da gestão.

“Profissionalizar é tratar o condomínio como ele realmente é hoje; uma estrutura que movimenta valores altos, com funcionários, contratos, obrigações legais e riscos, muito parecido com uma empresa. Isso passa por criar processos bem definidos, estabelecer fluxos de aprovação, ter políticas claras de compras, contratações e pagamentos, implementar controles financeiros e garantir que exista monitoramento contínuo das contas. Infelizmente não é mais possível trabalhar de maneira informal, julgando pelos históricos de casos de fraudes e má gestão que vemos todos os dias”, finaliza o auditor. Veja a Matéria na integra. Link :https://jornaldosindico.com.br/wp-content/uploads/2026/05/5_Edicao-358-Maio-2026.pdf

 
 
 

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